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Economia Circular: Financiamento Sustentável

Sofia Santos PhD

CEO da Systemic

 

O potencial das Obrigações Verdes para promover a Economia Circular

 

O financiamento sustentável é hoje um tema na agenda central de muitas empresas, apesar de existir um grande desconhecimento sobre o que ele implica efetivamente.

O financiamento sustentável significa que o financiador inclui, na sua análise de crédito ou de investimento, os riscos ambientais, sociais e de governação da empresa; e que, quando cria produtos financeiros, também procura promover produtos que incentivam as empresas a desenvolver as suas práticas de sustentabilidade.

Hoje em dia, o risco ambiental, em particular o risco climático, tem mais peso nesta análise, uma vez que os bancos centrais reconheceram que os riscos climáticos constituem riscos financeiros, e como tal necessitam de ser minimizados pelas empresas que necessitam de crédito.

Daí ser tão importante as empresas conseguirem identificar os riscos climáticos a que estão sujeitas decorrentes de mudanças de enquadramento legal, mudanças de preferências de mercado, temas decorrentes de litigações ambientais, bem como os riscos físicos a que estão sujeitas em caso de eventos climáticos agudos ou crónicos. Como todos estes temas são novos, e as empresas têm dificuldades em obter toda esta informação, algumas das variáveis e compromissos que os financiadores procuram ver estão associadas com o cálculo da pegada de gases com efeitos de estufa da empresa, e ao longo da sua cadeia de valor. Ora este valor será tanto maior quanto maior for a utilização de recursos na cadeia de valor, quanto maior for os resíduos gerados e quanto menor for a estratégia de economia circular da empresa.

O financiamento sustentável pode ser um motor para o desenvolvimento da economia circular, uma vez que os bancos, investidores e cofinanciadores têm estímulos económicos para emprestar/investir em projetos que tenham um menor impacte ambiental, pois esses projetos são considerados como tendo menores riscos climáticos. Esses estímulos podem traduzir-se, num futuro, em spreads menores, em custos de abertura de processo mais baixos ou noutras vantagens que sejam identificadas. Atualmente, estas vantagens ainda não estão visíveis no mercado, mas com a criação de requisitos de capital para os bancos associados ao risco climático das suas carteiras, essa diferenciação deverá começar a ocorrer de forma mais evidente.

Outro aspecto importante para as empresas é pensarem que uma obrigação verde, ou um empréstimo verde, pode apresentar-se como um produto financeiro atrativo à mesma para que esta invista, por exemplo, em equipamento e processos produtivos que lhe permitam melhorar a sua gestão de resíduos, a ecoeficiência da produção, desenvolver processos de eco inovação, entre outros.

Se hoje muito se fala no financiamento sustentável como sendo algo assustador que impõe muitas exigências às empresas, que pode impactar negativamente a sua competitividade, eu penso exatamente o oposto. Pode ser uma ótima oportunidade para a empresa conseguir obter capital a um custo mais atrativo (principalmente se fizer uma obrigação verde), para promover investimentos que lhe permitam melhorar o seu impacte ambiental, nomeadamente melhorar a economia circular ao longo do seu processo de inovação e produtivo.